sábado, novembro 04, 2006

ECS - Atividade6

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
PEDAGOGIA ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL
ESCOLA, CULTURA E SOCIEDADE
MÁRIO AUGUSTO
SER/ESTAR x PAPÉIS
A relação que procuro estabelecer com meus alunos busca sempre uma inversão de papéis, no sentido que estamos apreendendo. Estabelecendo uma relação de respeito com os alunos, sejam eles crianças ou adultos, procuro de todas as maneiras, primeiramente, entender seu universo, ou seja, as condições sociais em que vivem e as relações estabelecidas, entre eles, em decorrência das ações a que eles são submetidos em seu cotidiano. Nesse sentido, penso que posso estar, de alguma maneira, deixando de ser seu professor e estar em igualdade de condições para estabelecer um diálogo, tentando angariar com isso sua confiança, sua amizade porque penso desta maneira poderei desenvolver um trabalho mais próximo o possível de sua realidade, falando a sua língua. Por exemplo: acho necessário, no bairro onde trabalho, conhecer o RAP, pois é esta a linguagem que a maioria deles usam para se comunicar. Preciso, de alguma maneira, entender o porquê deles usarem determinadas roupas , pois mais parece um uniforme, todos têm. E assim o modo como falam e outras coisas de seu cotidiano.
Então ser/estar x papéis, meio que se confundem no cotidiano escolar. Até parece que sou meio carismático!
PODER/HIERARQUIA
Hoje em dia é uma relação complicada no meio escola do meu ponto de vista. Uma situação que eu vivi foi no ano passado, em uma escola estadual onde trabalhei. Hoje não estou mais lá. Tem a ver com a dominação legal.
Acontece que eu fiquei sem escola, lá por junho do ano passado, havia um aluno ateado fogo no pavilhão de madeira da escola. Daí decorreram várias situações e eu acabei sobrando na escola, pois era o nomeado mais novo. Então fui mandado para a SEC, e dali ser encaminhado para outra escola. Muito bem, lá na SEC a moça que me atendeu, eu procurava uma escola na zona Norte de Porto Alegre, disse-me que vaga só na zona Sul. Impossível para mim. Mas eu sabia que nessa escola em que trabalhei abriria uma vaga, pois uma professora só estava esperando alguém para seu lugar, porque ela estava se aposentando. Acontece que a moça que me atendia estava de alguma maneira guardando a vaga para uma amiga da diretora da tal escola. Só que esta professora iria como contratada ou convocada. Então eu bati pé e disse: sou professor nomeado tenho prioridade em relação ao contratado, pois bem me mandaram para a escola. Lá já fui recebido meio assim, afinal de contas eu não era a amiga da diretora. Nas reuniões dos professores, como sempre fiz e faço se acho que devo me manifestar, participava dos debates defendendo minha idéias, que em muitas vezes não eram de comunhão com as idéias da diretora. Não fiquei três meses na escola. Já havia um grupo que eu estava influenciando e isso não era nada agradável para a direção da escola. Daí a diretora passou a exercer seu poder dizendo em algumas reuniões: pois é vamos ter que rever algumas coisas, vai sobrar professor, vamos ver como é que fica, tem professor voltando de licença. Eu havia ido para o lugar de uma professora que se aposentou, logo uma nomeação por uma nomeação. Havia uma convocada no lugar da professora que estava voltando de licença maternidade, portanto não deveria ser eu a sair. Não foi o que aconteceu. Algumas reuniões depois as professoras foram se calando e eu continuei falando o que pensava. Fui convidado a sair da escola. Eu não queria ficar lá mesmo, voltei para escola onde estava. Penso que aqui houve o caso da dominação legal, a diretora fez ata daqui, ata dali e criou as regras que me tiraram da escola.

Um comentário:

Cris Noschang disse...

Oi Mário!
Fiquei contente por tua visita e ainda mais pelas tuas colocações.
Poxa, se todos os professores tivessem essa mesma mentalidade que téns, conseguiríamos mesmo "virar o jogo". Pena que muitos não vêem que podemos sim, se nos unirmos para a mudança. E pena que muitos não vêem que podem colaborar conosco...
Abraços