Quinta-feira, Dezembro 16, 2010

Reflexão de dezembro

Reflexão Dezembro

    Olhando para trás e relembrando as primeiras aulas presenciais vem à memória os primeiros medos sobre o que estava por vir. Afinal de contas estava iniciando uma caminhada na UFRGS. O curso seria a distância, os desafios seriam muitos. Entre eles a utilização das TICs. O termo não era tão novo, mas a dinâmica para utilização das mesmas em curso superior sim. O blog foi o ponto de partida. Lembro que foi na escola Alfredo José Justo, uma noite fria de inverno que cada colega criou seu blog e a partir dali iniciamos nossos primeiros registros dessa caminhada que por hora está chegando ao final. Sei que há muito ainda a fazer, pois na educação nunca estaremos prontos e acabados, é um constante fazer, refletir e refazer que vivenciamos no nosso dia a dia. Se assim não for, estaremos fadados ao atraso, às velhas folhas mimeografadas, enfim às antigas práticas que não favorecem nosso aluno.

    O blog, do meu ponto de vista, desencadeou um processo que não tem fim. Mesmo que, hoje, os visitantes não comparecem em grande número para ler o que lá escrevemos, fica registrado um pouco da nossa história percorrida dentro do PEAD. Ficam os registros das atividades que realizamos com nossos alunos, as reflexões sobre as atividades desenvolvidas. Para, além disso, criamos o hábito de registrar nossas atividades cotidianas com nossos alunos. Eu particularmente, mas ouvi o relato de outros colegas também, não fazia registros com fotos, por exemplo, das atividades e as analisava depois elaborando um texto sobre a atividade e o desempenho do aluno. Simplesmente avaliava cada aluno, ou a turma como um todo e registrava uma nota, sem me aprofundar em aspectos mais específicos da aprendizagem de cada aluno.

    Percebi que o blog pode ser um ótimo instrumento de troca de experiências entre professores. Estes, necessariamente, não precisam ser os colegas da minha escola. Pode ser um colega lá do estado de Minas Gerais, por exemplo. A partir do blog os espaços e os tempos para compartilhar experiências assumem outra dimensão, na medida em que a presença física deixa de ser uma exigência, por conta das facilidades que a Internet nos proporciona. Assim, podemos criar redes de relações, como aconteceu no PEAD, entre colegas, professores e tutores que independem de hora marcada.

    Nessa caminhada, procurei utilizar os mais variados recursos que estavam à disposição para que minhas postagens no blog não caíssem na mesmice. Isso só foi possível pelas trocas entre os colegas, tutores e os professores do PEAD, principalmente do Seminário Integrador, que nos acompanharam durante todo o curso. Recursos como os tutoriais foram muito importantes. Coisas básicas, como inserir fotos numa postagem, inserir hiperlink, entre outros.

    Posso dizer com certeza que o blog muito contribuiu para qualificar minha caminhada no PEAD e minha atuação junto aos meus alunos. Penso que agora, que dei esse passo importante, devo pensar além. Isso passa pela discussão entre os colegas de escola, a direção e a comunidade escolar: pensar a utilização do blog como instrumento pedagógico utilizado por alunos e professores. Criar espaços virtuais de aprendizagem, onde os alunos e professores poderão lançar mão dos recursos de um blog.

Eixo VIII

EIXO VIII

    Falar do Eixo VIII, é especial, pois é nele que vou concretizar através da prática docente tudo aquilo que vi durante todo o curso. Na verdade já vinha colocando em prática muitas das coisas que ia aprendendo e incorporando no meu modo de atuar em sala de aula com meus alunos. O Estágio Supervisionado foi a culminância de tudo que vi no PEAD.

    Meu Projeto de Estágio foi baseado em uma Arquitetura Pedagógica de Projeto de Aprendizagem. Tem como princípio explorar as curiosidades dos alunos, partido do que acham que sabem sobre a curiosidade e o que não sabem. Retornando, ao longo do desenvolvimento do PA e ao final ao ponto de partida e comparado o que aprenderam com o que achavam que sabiam. Daí afirmar sua certeza, através da comparação realizada, ou refutá-la gerando novas dúvidas ou não. Trabalhamos em cima da história da ocupação do bairro Jardim Leopoldina.

    Trabalhar explorando curiosidades foi de grande valia para mim. Tinha alguma idéia sobre trabalhar com a realidade dos alunos, mas era quase sempre do meu ponto de vista. Eu tratava de temas do cotidiano das crianças, mas sob minha ótica. A Arquitetura de Projeto de Aprendizagem mostrou-me outra perspectiva sobre como trabalhar a partir da realidade ou do interesse do aluno. Constatei que os ganhos em termos de aprendizagem são mais significativos. Além do próprio interesse do aluno, pude explorar os conhecimentos prévios dos mesmos, tentando perceber qual a lógica da sua relação com o objeto de estudo, no caso a sua curiosidade. A partir do momento que levantamos os conhecimentos prévios dos alunos, vamos coletando informações que podem ser valiosas na hora de definir estratégias para abordagem do assunto em pauta, além do que podemos direcionar e potencializar nosso planejamento direto ao foco de interesse do aluno.

    Outra questão importante que ocorreu durante a aplicação do PA, foi o fato de termos que utilizar as TICs para registrar e divulgar a caminhada dos alunos. Fez parte das nossas ações a utilização de recursos para pesquisas que não eram os tradicionais, como pesquisar na biblioteca. Trabalhamos com entrevistas na comunidade, entre os familiares dos alunos, pesquisas na Internet. Construção de textos utilizando o computador, captura de imagens com telefones celulares e câmeras digitais. Aliando a isso formas antigas de trabalho como análise de fotos antigas de festas da escola, desenho de mapas, leitura de mapas tradicionais, construção de texto no caderno entre outros. Esse conjunto de atividades misturando o tradicional e o novo proporcionou aos alunos vivenciar diferentes formas de trabalhar podendo realiza comparações entre um e outro. Tudo isso gerou apreensão dos pais. Quando trabalhamos desta forma há um deslocamento do tempo e espaço de estudo. Dentro da perspectiva do trabalho com PA a sala de aula não é o único espaço par construção de conhecimento, nem há tempos pré estabelecidos para que comece e termine um conteúdo. Os registros deixam de acontecer só no caderno e passam o ocupar outros espaços que não eram utilizados antes. Esse deslocamento gerou questionamentos por parte dos pais, pois não viam os cadernos dos filhos cheios de matéria.

    Chamei junto com a direção da escola uma reunião com os pais dos meus alunos para esclarecer a situação. A partir dessa discussão os pais ficaram tranqüilizados e entenderam qual a proposta de trabalho. Acho isso importante, poder dialogar com os pais e mostrar-lhes de que forma o trabalho está se dando com seus filhos.

    O uso das TICs foi fundamental na proposta do PA. Consegui trabalhar com os alunos a questão de que a sala de informática da escola não é a Lan house da esquina da sua casa. A função da sala de informática na escola é pedagógica. A sala de informática deve ser utilizada para potencializar as atividades que temos de realizar. Mas na medida em que o trabalho fosse executado poderia haver tempo livre para utilizar os jogos pedagógicos. Uma coisa que foi marcante, quando usávamos a sala de informática era a solidariedade dos alunos que dominavam um pouquinho para com os colegas que nada sabia de computador. Diferente da sala de aula, onde existe intolerância com aqueles colegas que sabem menos.

    Percebi que de certa forma os alunos demonstraram muita facilidade em lidar com as TICs, ou seja, conseguem aprender rapidamente a manusear os equipamentos. Isso não significa dizer que aquele aluno que tem dificuldade em matemática, por exemplo, vai aprender com mais facilidade os conceitos matemáticos ou que deixará de escrever palavras erradas só porque está utilizando o computador para escrever. Mas o uso do computador pode acelerar o processo de aprendizagem dos alunos.

    Para finalizar quero dizer que foi um grande aprendizado trabalhar com Projeto de Aprendizagem. Esse tipo de Arquitetura Pedagógica vai me acompanhar por muito tempo na minha carreira no magistério. Espero nos próximos anos realizar mais PA com meus alunos e poder provocar meus colegas a utilizarem os PAs para trabalhar com seus alunos.


 


 


 


 


 


 


 

Quarta-feira, Dezembro 15, 2010

EIXO VII

EIXO VII

    No Eixo VI de certa forma retomamos as questões relacionadas aos interesses dos alunos e sua realidade. A fragmentação dos temas em conteúdos que na maioria das vezes de nada serve para que os alunos tenham uma visão geral das coisas que estão ao seu redor. A interdisciplina Didática, Planejamento e Avaliação proporcionou uma reflexão de como esse processo de fragmentação da educação está alinhado com processos de produção capitalista, onde os operários não são vistos como seres humanos, mas como engrenagens de um sistema que, apesar de funcionar ligadas umas as outras, não precisam saber como funciona o todo. Apenas tem que obedecer comandos.

    Analisando uma postagem do meu blog, que referia que tal processo de fragmentação da educação nas escolas públicas que trabalho é uma realidade, passei a ver meus alunos com outros olhos. Pois, eu inserido no processo escolar, quando da minha formação inicial, sou fruto dessa escola que fragmenta os conteúdos e vê o aluno de forma fragmentada. Não percebe o aluno como um todo. Durante muito tempo acreditei que as coisas deveriam funcionar dessa forma fragmentada. O Eixo VII, através da interdisciplina Didática, Planejamento e Avaliação ajudou-me a mudar esse conceito. Hoje vejo meu aluno em toda sua complexidade e individualidade. Levo muito em consideração os conhecimentos prévios que trazem do seu meio quando vêm para escola. Nesse sentido FREIRE (2002, p. 109) afirma: "... que o educador, que o político, sem pretender separá-los, tem de, em certo sentido, deixar-se molhar completamente pelas "águas culturais" das massas populares para poder senti-las e compreendê-las".

    Desafio maior foi o da interdisciplina Língua Brasileira de Sinais. Primeiro pelo fato de a professora ser uma pessoa não falante. Aprendi muitas coisas sobre a cultura dos surdos. Nem sabia que existia uma cultura dos surdos. Foi muito triste relembrar coisas da minha vida, pois tenho um irmão que ao é falante e que sofreu muito preconceito. Primeiramente na escola. Naquela época década de 1970 as coisas eram muito precárias. Não o aceitaram na escola e não tinha o Estatuto da Criança e do Adolescente para protegê-lo e garantir seu acesso à escola. Daí, percebi que as coisas não estão muito diferentes nos dias de hoje. O preconceito continua, a escola não acolhe esses alunos como deveria acolher. Mas acredito que, a partir do momento em que universidades como a UFRGS trata dessa questão com a maior seriedade no que diz respeito à formação dos professores, a possibilidade de haver mudanças em benefício dos não falantes, sob o ponto de vista da inclusão tendem a se ampliar.

    Bibliografia:

    Freire, Paulo e Faundez, Antônio. Por uma pedagogia da pergunta. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985. Ed. 5ª – 2002.

Eixo VI

EIXO VI

    O Eixo VI foi especial para mim. Através dele pude exercer uma pressão na escola para que fizesse cumprir o que diz o Art. 3º, inciso I da LDB. "O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;". Acontece que no semestre em que estava sendo dado o Eixo VI, tivemos entre as interdisciplinas a interdisciplina de Educação de Pessoas com Necessidades Educacionais Especiais – A. Neste ano eu tinha uma aluna cadeirante. Ela não tinha as mesmas condições de acesso a todos os ambientes de estudo da escola, como tinham os outros alunos. Tanto biblioteca, quanto sala de vídeo era no segundo piso da escola. Para ela ter acesso tinha que ser carregada pelo seu pai ou por mim. O banheiro que ela utilizava não era adaptado às suas necessidades. A escola não possuía nenhuma rampa de acesso, sua classe não era adaptada, no refeitório não havia uma adaptada para ela fazer seu lanche.

    A partir das leituras realizadas, apropriação das leis propus aos meus colegas uma discussão sobre a situação da menina e consegui apoio de todos. Hoje temos outra realidade na escola. A sala de informática, de vídeo e a biblioteca passaram para o andar térreo, foram construías rampas de acesso na escola e um banheiro foi adaptado para a menina. Mas a coisa não foi fácil. Tive que me expor, pois a diretora e a supervisora não queriam realizar as mudanças necessárias. Inclusive disse que iria denunciá-las no ministério público se não cumprissem o que previa a LDB. No meu blog tem uma postagem que mostra as dificuldades que a menina passava para poder estudar plenamente. Mais uma vez o PEAD fazendo a diferença, pois o fato de estarmos embasado na lei nos possibilita ter a tranqüilidade necessária para dialogar com os colegas e exercer pressão naqueles que devem zelar pelo interesse público.

    Outra interdisciplina com a qual aprendi muito no Eixo VI, foi Questões Étnico- Raciais na Educação: Sociologia e História. Pensar e discursar afirmando a idéia de que não há racismo no Brasil é um grande erro. Todos sabem que ele existe, mas não admitimos. Os exemplos são vários. Basta ver o número de apenados no Brasil em relação a cor da pele veremos que a maioria é de negros. Os negros são as pessoas da sociedade que tem menos escolaridade, portanto, terão menos chances para disputar empregos com bons salários. Dessa forma se tronam prisioneiro de um ciclo vicioso: são pobres porque não estudam, não estudam porque precisam trabalhar muito cedo para ajudar na renda familiar. Discutir essas questões na escola pode ajudar a diminuir as relações de preconceito que lá existem entre os alunos brancos com negros e negros com negros.

    Umas das reflexões que faço no meu blog, fala um pouco da pesquisa que realizamos com nossos alunos sobre o como é ser aluno negro na escola. Era uma atividade da Interdisciplina. Muitos colegas do PEAD não se sentiram bem para realizar essa atividade. Para mim isso reforçou a idéia de que o preconceito ainda está arraigado na nossa sociedade. Eu realizei a pesquisa. Percebi que quanto mais falarmos no assunto seriamente com nossos alunos, mais estaremos colaborando para que o preconceito racial diminua nas escolas e por extensão na sociedade. A experiência me mostrou que não podemos é fingir que nada acontece, que não há racismo. As crianças sabem que ele existe e sentem na pele.

    Outro ponto importante foram os estudos dos Modelos Pedagógicos e Modelos Epistemológicos - Becker, Fernando. Educação e Construção do Conhecimento. Porto Alegre ARTMEDE, 2001. Coloca de maneira clara e distinta as diferenças entre o professor transmissor de conhecimento, o professor facilitador que acredita que o aluno possa aprender por si só e o professor construtivista. Na linha do professor construtivista, penso que a interdisciplina de Filosofia da Educação A – colaborou para que me desse conta do quanto é importante não apresentarmos respostas prontas para nossos alunos, mas instigá-los e desafiá-los a formular suas próprias respostas às questões que lhes interessam. Observar o processo pelo qual meu aluno formula suas hipóteses sobre o que está estudando e as conclusões a que chega sobre o objeto estudado mostrou-me caminhos que não havia percorrido anteriormente. Nesse sentido meu modo de avaliar meu aluno também se modificou, pois entendo sua lógica posso afirmar com mais propriedade se ele construiu ou não conhecimento sobre o objeto de estudo.


 

Fonte: http://www.pucminas.br/imagedb/documento/DOC_DSC_NOME_ARQUI20041202141358.pdf

Acesso em: 15/12/2010.

Terça-feira, Dezembro 14, 2010

EIXO V

EIXO V

    Relembrando as atividades do Eixo V, onde as interdisciplinas tratam basicamente da organização curricular e administrativa da escola, além da gestão com um todo, percebo que, apesar de se passarem dois anos, as coisas continuam na mesma. Daí a percepção de como o processo de mudança na educação é lento. A reboque dos avanços tecnológicos vai a escola com todos os seus vícios. Olhando para trás percebe-se que quase nada mudou. Uma das coisas que aprendi nesse semestre é quão forte é o corporativismo daqueles colegas que não querem nenhum tipo de mudança na escola.

    O PEAD, através da interdisciplina Organização e Gestão da Educação A, possibilitou-me fazer um estudo sobre as leis que regem a educação no nosso país. Entre outras coisas pude perceber que a partir da constituição de 1988, muitas foram as conquistas da sociedade. Na educação, por exemplo, a gestão democrática foi uma delas. Mas, por conta das discussões e trabalhos realizados, percebi que não basta criar leis, tem que haver garantias de que serão cumpridas. Entendo que para isso ocorrer todas as instâncias representativas deverão estar envolvidas no processo de gestão da escola. Por que se assim não for, direitos assegurados por lei deixam de ser garantidos de fato na escola. Então uma das coisas que persigo até hoje é que haja democracia de fato dentro das escolas em que trabalho. Nesse sentido, o PEAD mais uma vez me garantiu embasamento na lei para poder propor as discussões que achava necessário acontecer dentro da escola para que os direitos, principalmente dos alunos fossem garantidos.

    Além dessa questão da gestão democrática na escola, a interdisciplina tratou da questão da formação e valorização do magistério no Brasil. Não adianta dar formação e não pagar bons salários. Nesse sentido percebi que nem uma coisa nem outra estão acontecendo a contento. Contudo, tenho que fazer a ressalva do PEAD. É um curso especificamente para professores que atuam nas redes de ensino públicos que não tem formação de nível superior. Convênio firmado entre governo federal, governo estadual e governos municipais. Essa é uma realidade do Rio Grande do Sul. Dos outros estados e municípios da federação não posso falar. O Fórum, Profissionais da Educação, mostrou com muita clareza como os professores se sentem em relação a sua formação e ao seu plano de carreira. Salários baixos, fazendo com que muitos professores, que é o meu caso, tenham que fazer uma jornada de trabalho de sessenta horas semanais. Isso do meu ponto de vista torna impraticável, para qualquer profissional da educação, dar uma boa aula. As condições de trabalho e as turmas superlotadas foram tocos muito mencionados no Fórum.

    Assim sendo, digo que não adianta termos belas leis no papel se os governos, gestores públicos não as cumprem. Meu papel procurei fazer na medida em que ia me dando conta dos caminhos que podia utilizar para provocar algumas discussões dentro das escolas que trabalho. O aporte teórico, referente as leis que regem a educação no Brasil, disponibilizado pelo PEAD foi e está sendo de grande valia para reivindicar meus direitos e assegurar os direito básicos de meu alunos.