Freinet (1998) denomina de "Práticas Lúdicas Fundamentais" não o exercício específico de alguma atividade, pois ele acredita que qualquer atividade pode ser corrompida na sua essência, dependendo do uso que se faz dela. Logo, para Freinet a dimensão lúdica é:
Algum tempo atrás acreditava que deveria realizar brincadeiras com meus alunos com um objetivo específico a ser desenvolvido em aula. Esse semestre pude perceber, colocando em prática muitas das idéias apresentadas, alguns conceitos estudados na Cadeira de Ludicidade. Desde a primeira aula, quando a Prof. Neusa apresentou alguns conceitos sobre brincar e fomos debatendo sobre o assunto, fiquei logo entusiasmado com a idéia. Já fazia com a minha turma a hora do brinquedo, esse momento era realizado sempre às sextas feiras no primeiro horário da manhã até a hora do lanche. Bem, depois de ler os textos e as discussões e relatos no Fórum de Ludicidade fiquei mais seguro em relação ao que estava fazendo, pois na minha escola sou o único professor que tem a hora do brinquedo estabelecida em aula. O fato é que comecei ampliar os momentos de brincadeira livre em sala de aula e também no pátio. A maioria dos meus alunos não tinha freqüentado a escola ainda, ou seja, estavam acostumados ao ambiente doméstico. Logo, não estavam acostumados a dividir seus brinquedos, seu espaço em sala de aula, a merenda entre outras coisas com crianças desconhecidas, ou seja seus colegas. Então estabelecemos que tudo poderia ser compartilhado entre todos: desde o material do armário, que era para todos usarem, até o material individual de cada um e também os brinquedos. Para a maioria era a primeira experiência de compartilhamento de tudo que poderia estar ao seu alcance em sala de aula. A única regra era pedir autorização para uso do que fosse necessário. Obviamente o início foi meio conturbado, pois alguns colegas não admitiam emprestar seus brinquedos, por exemplo. Mas foram percebendo ao longo das atividades que também não poderiam pegar brinquedos emprestados dos colegas, pois como não compartilhavam o seu brinquedo, os próprios colegas faziam a reflexão de que se eles não emprestavam não poderiam pedir emprestado também. Resultado disso, alunos alegres, criativos, questionadores e interativos. Estão sempre dispostos a participar das aulas seja qual for a proposta de trabalho, pois conseguimos estabelecer um nível de relacionamento cooperativo, onde percebemos coletivamente cada momento em relação a ação desenvolvida em sala de aula. Um exemplo disso são as atividades realizadas com os blocos lógicos e o material dourado. Os alunos constroem diversos tipos de brinquedos com esse materiais: casas, garagens, estradas entre outros. quando alguém precisa de uma peça que outro tem sobrando, então eles cedem ou trocam por outra. As vezes eu preciso fazer a mediação, mas o processo é assim mesmo. Vejam alguns momentos lúdicos deste ano na apresentação de slides ao lado. Poderão perceber os blocos lógico, por exemplo, como elementos de pura criação emanação de criatividade dos alunos, bem como o material dourado. Lembram de quando éramos crianças e ainda colhíamos frutas no próprio pé? Então, os alunos estão comendo amora. Lá na escola tem um pé dessa fruta.
terça-feira, dezembro 04, 2007
Meus alunos brincando
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Ludicidade
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Um comentário:
Ol� M�rio.
Quem l� os teus relatos t�m a oportunidade de apreciar tua "alma de escritor". Pois os mesmos apresentam profundidade te�rica, riqueza de detalhes, pass�veis de, mesmo uma pessoa que n�o conhe�a o teu trabalho,ao ler teus relatos consegue compreender o que fazes e entrar "virtualmente" nas tuas aulas e "sabore�-las". Integras conhecimentos pr�ticos com conhecimentos te�ricos (citaste meu grande mestre Freinet)e isto confere um excelente n�vel de qualidade e respeitabilidade ao teu trabalho. Parab�ns!
Abra�os,
Prof� Neusa s�
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