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quarta-feira, dezembro 08, 2010

Eixo III

EIXO III

Esse foi o Eixo que mais me identifiquei. Primeiro porque considero que as interdisciplinas desse Eixo são fundamentais para equilibrar, no ser humano, razão e emoção. Não vejo, como no tempo que eu era aluno do primário, os professores de hoje realizarem atividades de artes, contação de história, leitura e releitura dos clássicos infantis, música de boa qualidade e teatro na escola. Essas interdisciplinas colaboraram muito para que pudesse refletir sobre as artes de um modo geral dentro da escola e da importância que eles têm para o desenvolvimento cognitivo das crianças. Segundo, porque sou músico e na minha adolescência ia muito a shows, inclusive nas apresentações do Projeto Unimúsica da UFRGS, isso antes de ser acadêmico. Por ironia depois que comecei a cursar o PEAD, nunca mais assisti a um show, embora acompanhe a programação que continua com ótimos músicos se apresentando. Teatro e cinema, freqüentava muito apesar de, no caso de teatro, gostar mais de teatro de rua. Inclusive assisti, lá pelos idos dos anos 1990 a uma peça que tinha por título: “O Ronco do Bugio”, onde o professor da interdisciplina Teatro e Educação, Gilberto Icle era o diretor da peça. Por estes motivos esse Eixo foi especial, revivi muito da minha adolescência e da infância.

Muito importante para mim foi a questão do jogo e da brincadeira, do lúdico na sala de aula. Como gosto de movimento nas aulas, estou sempre tentando fazer algo diferente. A interdisciplina Ludicidade e Educação A, me possibilitou o embasamento teórico necessário para contrapor as idéias de muitos pais que achavam perda de tempo utilizar jogos como forma de auxiliar no aprendizado de seus filhos. Diziam que não mandavam os filhos para escola para ficar brincando. Mas graças aos debates, os trabalhos realizados no PEAD, as leituras realizadas pude provar o contrário para muitos pais. Afinal de contas utilizando jogos podemos os alunos podem desenvolver várias habilidades, estabelecer regras e sansões, socializar-se com os colegas, aprender que nem sempre seremos ganhadores ou perdedores em um jogo, podem aprender que o trabalho em equipe é muito importante. Com brinquedos as crianças podem usar sua imaginação para criar as histórias que quiserem. Podem produzir textos, fazer releituras de histórias que conhecem, enfim uma série de coisas que só colaboram para o seu crescimento.

Uma coisa que não foi muito legal, apesar de ter dito no parágrafo acima, os trabalhos realizados em grupo. Nessa época trabalhava sessenta horas e era muito difícil encontrar-me com as colegas para planejar e executar as tarefas. Mas no geral o eixo foi muito produtivo.

terça-feira, dezembro 04, 2007

Meus alunos brincando

Freinet (1998) denomina de "Práticas Lúdicas Fundamentais" não o exercício específico de alguma atividade, pois ele acredita que qualquer atividade pode ser corrompida na sua essência, dependendo do uso que se faz dela. Logo, para Freinet a dimensão lúdica é:
“(...) um estado de bem-estar que é a exacerbação de nossa necessidade de viver, de subir e de perdurar ao longo do tempo. Atinge a zona superior do nosso ser e só pode ser comparada à impressão que temos por uns instantes de participar de uma ordem superior cuja potência sobre-humana nos ilumina”. (pg.304)
Algum tempo atrás acreditava que deveria realizar brincadeiras com meus alunos com um objetivo específico a ser desenvolvido em aula. Esse semestre pude perceber, colocando em prática muitas das idéias apresentadas, alguns conceitos estudados na Cadeira de Ludicidade. Desde a primeira aula, quando a Prof. Neusa apresentou alguns conceitos sobre brincar e fomos debatendo sobre o assunto, fiquei logo entusiasmado com a idéia. Já fazia com a minha turma a hora do brinquedo, esse momento era realizado sempre às sextas feiras no primeiro horário da manhã até a hora do lanche. Bem, depois de ler os textos e as discussões e relatos no Fórum de Ludicidade fiquei mais seguro em relação ao que estava fazendo, pois na minha escola sou o único professor que tem a hora do brinquedo estabelecida em aula. O fato é que comecei ampliar os momentos de brincadeira livre em sala de aula e também no pátio. A maioria dos meus alunos não tinha freqüentado a escola ainda, ou seja, estavam acostumados ao ambiente doméstico. Logo, não estavam acostumados a dividir seus brinquedos, seu espaço em sala de aula, a merenda entre outras coisas com crianças desconhecidas, ou seja seus colegas. Então estabelecemos que tudo poderia ser compartilhado entre todos: desde o material do armário, que era para todos usarem, até o material individual de cada um e também os brinquedos. Para a maioria era a primeira experiência de compartilhamento de tudo que poderia estar ao seu alcance em sala de aula. A única regra era pedir autorização para uso do que fosse necessário. Obviamente o início foi meio conturbado, pois alguns colegas não admitiam emprestar seus brinquedos, por exemplo. Mas foram percebendo ao longo das atividades que também não poderiam pegar brinquedos emprestados dos colegas, pois como não compartilhavam o seu brinquedo, os próprios colegas faziam a reflexão de que se eles não emprestavam não poderiam pedir emprestado também. Resultado disso, alunos alegres, criativos, questionadores e interativos. Estão sempre dispostos a participar das aulas seja qual for a proposta de trabalho, pois conseguimos estabelecer um nível de relacionamento cooperativo, onde percebemos coletivamente cada momento em relação a ação desenvolvida em sala de aula. Um exemplo disso são as atividades realizadas com os blocos lógicos e o material dourado. Os alunos constroem diversos tipos de brinquedos com esse materiais: casas, garagens, estradas entre outros. quando alguém precisa de uma peça que outro tem sobrando, então eles cedem ou trocam por outra. As vezes eu preciso fazer a mediação, mas o processo é assim mesmo. Vejam alguns momentos lúdicos deste ano na apresentação de slides ao lado. Poderão perceber os blocos lógico, por exemplo, como elementos de pura criação emanação de criatividade dos alunos, bem como o material dourado. Lembram de quando éramos crianças e ainda colhíamos frutas no próprio pé? Então, os alunos estão comendo amora. Lá na escola tem um pé dessa fruta.