domingo, dezembro 13, 2009

Aluno da EJA

O texto da Marta Kohl – Jovens e adultos como sujeitos de conhecimento e aprendizagem, fez-me lembrar de quando iniciei minha carreira na Educação de Jovens e Adultos há dez anos, na cidade de Alvorada. Havia a preocupação da minha parte de como poderia trabalhar com jovens e adultos. Naquela época como não havia na rede de Alvorada professores de Artes, colocaram-me lá para ficar até vir um professor nomeado. Eu não tinha titulação, estava no segundo semestre de Artes Visuais, que cursava na ULBRA. Além disso, no campo da arte eu tinha e tenho até hoje conhecimento na área da música. Conhecimento teórico e prático. Então, logo no início perguntei para a assessoria pedagógica da SMED o que deveria trabalhar com os alunos? Eles me responderam: “isso tu vais construir junto com os alunos”. Confesso que fiquei confuso, mas aceitei o desafio. Claro que tinha a assessoria dando suporte teórico para realização do trabalho.

Na primeira semana de aula fiz duas enquetes com os alunos: por que estavam retornando para a escola? O que sabiam sobre arte?

Para a primeira questão veio à concretude da exclusão. A maioria dos alunos não tinha concluído seus estudos porque precisavam trabalhar para ajudar no sustento da família. Alvorada é uma cidade constituída em sua grande maioria de pessoas que vieram do interior do estado em busca de trabalho, pois a modernização do campo na década de 1970, fez com que muitas pessoas perdessem seu emprego, obrigando-os a vir para cidade em busca de um futuro melhor. E a resposta para a segunda questão evidenciou o conceito de que arte é somente pintura. Ou seja, estavam condicionados àquela escola tradicional que nada mais tinha a ver com seus interesses, agora na educação de jovens e adultos. A escola naquela época não estava preparada para trabalhar com esses alunos. Ela era pensada para outro tipo de público, com outra cultura. Para os alunos de EJA tudo tinha que se construir inclusive o currículo a ser trabalhado.

A autora do texto refere exatamente o exposto a cima em relação ao perfil do aluno da EJA. Cultura própria, pais com baixa renda e baixa escolaridade, migrantes do interior para as grandes cidades ou nas periferias, que é o caso de Alvorada. No meio urbano trabalham com certa precariedade e pouca estabilidade no emprego. Isso gera um a rotatividade grande entre alunos de EJA. Refere ainda a questão de não ter estudos específicos para saber como se dá aprendizagem de jovens e adultos, a falta de programas e métodos para a educação de jovens e adultos como pontos a serem trabalhados de modo que se possa estabelecer um parâmetro para EJA.

Contudo destaca como diferencial entre os alunos do ensino regular e os alunos da EJA em relação à aprendizagem o fato de os segundos terem experiências mais prolongadas de vida, visão de mundo, visão de si, interação entre esses dois. Isso possibilita ao professor que possa potencializar o desenvolvimento da aprendizagem dos alunos da EJA, pois na mediação podemos ser extremamente flexíveis, se formos criativos, para problematizar as demandas da sala de aula com as experiências, a cultura dos alunos e assim contrapor o senso comum do aluno sobre os mais variados temas.

Referências:

OLIVEIRA, Marta Kohl de. Jovens e adultos como sujeitos de conhecimento e aprendizagem. Revista Brasileira de Educação, Set./Out./Nove./Dez. 1999, n. 12, p. 59-73.

COMERLATO, Denise Maria. Escrita, representações e cognição. Educação e Realidade, 29 (2), 1143-161, jul./dez. 2004.

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