segunda-feira, junho 15, 2009

Agentes Multiplicadores

Voltando a questão da música nas escolas vou relatar uma experiência que aconteceu em Alvorada no ano de 2002 e durou por mais três anos.
O nome do projeto era: Ouvir a Vida. Uma parceria do governo do estado, à época o governador era Olívio Dutra, a prefeitura de Alvorada que tinha como prefeita a Sra. Stella Farias e a OSPA. Era uma ação muito simples em que três professores de música da OSPA se deslocavam até a escola Normélio, localizada no bairro Umbú. Um dos bairros mais viloentos de Alvorada. Eram aulas de flauta doce, violão e percussão. Eram atendidas em média umas cinquenta crianças, todas moradoras do bairro. Durante o tempo em que o Projeto aconteceu as crianças tiveram oportunidade de vivenciar outra realidade que não só violência. Eles entraram em contato com o mundo mágico da música, aprenderam a ouvir, aprenderam a tocar um instrumento, aprenderam a tocar juntos cada qual com sua pequena contribuição, mas que no todo formava uma bela música. E assim iam aprendendo sobre música e sobre o outro, todos no mesmo compasso. Além disso visitaram o Teatro da OSPA em um momento de ensaio da orquestra. Sabe aquela que dizem por aí que pobre não gosta de música clássica? Não é verdade. Apresentaram-se em uma das edições da Feira do Livro de Porto Alegre no Santander Cultural. Na apresentação do Santander eu estava presente, pois um dos meus sobrinhos fazia parte do Projeto e o público gostou muito da apresentação dos meninos. Além das apresentaçõaes que faziam em escolas do próprio município de Alvorada.
Muito bem, o tempo passou mudou o governo do estado, assumiu Germano Rigotto e ele cortou o Projeto não pagando os músicos. A prefeita Stella assumiu o pagamento dos professores e o Projeto continuou. Mas o tempo continuou passando e Stella terminou seu mandato, daí assumiu o atual prefeito, ele está na sua segunda gestão, e cortou o pagamento dos professores de música da OSPA. Foi o fim do Projeto. Mas a essa altura já havia três meninos que estavam tocando muito bem e ainda seguiram durante um tempo na escola trabalhando com algumas crianças, mas já não era mais a mesma coisa. Eles formaram um grupo chamado Nação Periférica. São em torno de cinco adolescentes que continuam dando suas aulas. Tiveram um forte apoio do pessoal da Casa Elétrica de Porto Alegre, que é uma academia de música, cuja a professora da OSPA que dava aula em Alvorada no Ouvir a Vida, é dona dessa academia. Hoje os meninos têm um trabalho que está se consolidando na cidade. A sede deles mudou para a escola Cap. Gentil Machado de Godóy, na Vila Tijuca. Têm todo apoio a direção da escola e do Conselho Escolar. No ano de 2008 prestaram vestibular no IPA para Licenciatura e Música, cursaram dois semestres e tiveram que trancar a matrícula por falta de dinheiro. No mesmo ano tiveram um Projeto seu aprovado pela Fundação Maurício Sirotysk Sobrinho, no valor de R$30.000,00, para dar aulas de música para os alunos da Escola Gentil. As oficinas acontecem todas as quartas feiras.
A intenção do Projeto Ouvir a Vida não era de formar músicos nem professores de músca, mas aconteceu. Fora esses meninos tem outros meninos que foram do Projeto e acabaram entrando para Bandas Marciais de outras escolas, entraram em grupos de dança e com certeza aqueles que não continuaram no caminho da música são melhores ouvinetes hoje do que seriam se não tivessem participado do Projeto Ouvir a Vida.

Um comentário:

Daiane Grassi disse...

Olá Augusto, tudo bem?! Você chegaste a receber o e-mail das professoras Nádie, Melissa e Patrícia informando sobre a recuperação?! Eu te mandei um e-mail também! No entanto, não obtive retorno. Estou aqui para te acompanhar nesse processo, ok?! Me escreva com a máxima breviedade! Um abração, Daiane.