EIXO VII
No Eixo VI de certa forma retomamos as questões relacionadas aos interesses dos alunos e sua realidade. A fragmentação dos temas em conteúdos que na maioria das vezes de nada serve para que os alunos tenham uma visão geral das coisas que estão ao seu redor. A interdisciplina Didática, Planejamento e Avaliação proporcionou uma reflexão de como esse processo de fragmentação da educação está alinhado com processos de produção capitalista, onde os operários não são vistos como seres humanos, mas como engrenagens de um sistema que, apesar de funcionar ligadas umas as outras, não precisam saber como funciona o todo. Apenas tem que obedecer comandos.
Analisando uma postagem do meu blog, que referia que tal processo de fragmentação da educação nas escolas públicas que trabalho é uma realidade, passei a ver meus alunos com outros olhos. Pois, eu inserido no processo escolar, quando da minha formação inicial, sou fruto dessa escola que fragmenta os conteúdos e vê o aluno de forma fragmentada. Não percebe o aluno como um todo. Durante muito tempo acreditei que as coisas deveriam funcionar dessa forma fragmentada. O Eixo VII, através da interdisciplina Didática, Planejamento e Avaliação ajudou-me a mudar esse conceito. Hoje vejo meu aluno em toda sua complexidade e individualidade. Levo muito em consideração os conhecimentos prévios que trazem do seu meio quando vêm para escola. Nesse sentido FREIRE (2002, p. 109) afirma: "... que o educador, que o político, sem pretender separá-los, tem de, em certo sentido, deixar-se molhar completamente pelas "águas culturais" das massas populares para poder senti-las e compreendê-las".
Desafio maior foi o da interdisciplina Língua Brasileira de Sinais. Primeiro pelo fato de a professora ser uma pessoa não falante. Aprendi muitas coisas sobre a cultura dos surdos. Nem sabia que existia uma cultura dos surdos. Foi muito triste relembrar coisas da minha vida, pois tenho um irmão que ao é falante e que sofreu muito preconceito. Primeiramente na escola. Naquela época década de 1970 as coisas eram muito precárias. Não o aceitaram na escola e não tinha o Estatuto da Criança e do Adolescente para protegê-lo e garantir seu acesso à escola. Daí, percebi que as coisas não estão muito diferentes nos dias de hoje. O preconceito continua, a escola não acolhe esses alunos como deveria acolher. Mas acredito que, a partir do momento em que universidades como a UFRGS trata dessa questão com a maior seriedade no que diz respeito à formação dos professores, a possibilidade de haver mudanças em benefício dos não falantes, sob o ponto de vista da inclusão tendem a se ampliar.
Bibliografia:
Freire, Paulo e Faundez, Antônio. Por uma pedagogia da pergunta. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985. Ed. 5ª – 2002.

Nenhum comentário:
Postar um comentário