quarta-feira, dezembro 15, 2010

Eixo VI

EIXO VI

    O Eixo VI foi especial para mim. Através dele pude exercer uma pressão na escola para que fizesse cumprir o que diz o Art. 3º, inciso I da LDB. "O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;". Acontece que no semestre em que estava sendo dado o Eixo VI, tivemos entre as interdisciplinas a interdisciplina de Educação de Pessoas com Necessidades Educacionais Especiais – A. Neste ano eu tinha uma aluna cadeirante. Ela não tinha as mesmas condições de acesso a todos os ambientes de estudo da escola, como tinham os outros alunos. Tanto biblioteca, quanto sala de vídeo era no segundo piso da escola. Para ela ter acesso tinha que ser carregada pelo seu pai ou por mim. O banheiro que ela utilizava não era adaptado às suas necessidades. A escola não possuía nenhuma rampa de acesso, sua classe não era adaptada, no refeitório não havia uma adaptada para ela fazer seu lanche.

    A partir das leituras realizadas, apropriação das leis propus aos meus colegas uma discussão sobre a situação da menina e consegui apoio de todos. Hoje temos outra realidade na escola. A sala de informática, de vídeo e a biblioteca passaram para o andar térreo, foram construías rampas de acesso na escola e um banheiro foi adaptado para a menina. Mas a coisa não foi fácil. Tive que me expor, pois a diretora e a supervisora não queriam realizar as mudanças necessárias. Inclusive disse que iria denunciá-las no ministério público se não cumprissem o que previa a LDB. No meu blog tem uma postagem que mostra as dificuldades que a menina passava para poder estudar plenamente. Mais uma vez o PEAD fazendo a diferença, pois o fato de estarmos embasado na lei nos possibilita ter a tranqüilidade necessária para dialogar com os colegas e exercer pressão naqueles que devem zelar pelo interesse público.

    Outra interdisciplina com a qual aprendi muito no Eixo VI, foi Questões Étnico- Raciais na Educação: Sociologia e História. Pensar e discursar afirmando a idéia de que não há racismo no Brasil é um grande erro. Todos sabem que ele existe, mas não admitimos. Os exemplos são vários. Basta ver o número de apenados no Brasil em relação a cor da pele veremos que a maioria é de negros. Os negros são as pessoas da sociedade que tem menos escolaridade, portanto, terão menos chances para disputar empregos com bons salários. Dessa forma se tronam prisioneiro de um ciclo vicioso: são pobres porque não estudam, não estudam porque precisam trabalhar muito cedo para ajudar na renda familiar. Discutir essas questões na escola pode ajudar a diminuir as relações de preconceito que lá existem entre os alunos brancos com negros e negros com negros.

    Umas das reflexões que faço no meu blog, fala um pouco da pesquisa que realizamos com nossos alunos sobre o como é ser aluno negro na escola. Era uma atividade da Interdisciplina. Muitos colegas do PEAD não se sentiram bem para realizar essa atividade. Para mim isso reforçou a idéia de que o preconceito ainda está arraigado na nossa sociedade. Eu realizei a pesquisa. Percebi que quanto mais falarmos no assunto seriamente com nossos alunos, mais estaremos colaborando para que o preconceito racial diminua nas escolas e por extensão na sociedade. A experiência me mostrou que não podemos é fingir que nada acontece, que não há racismo. As crianças sabem que ele existe e sentem na pele.

    Outro ponto importante foram os estudos dos Modelos Pedagógicos e Modelos Epistemológicos - Becker, Fernando. Educação e Construção do Conhecimento. Porto Alegre ARTMEDE, 2001. Coloca de maneira clara e distinta as diferenças entre o professor transmissor de conhecimento, o professor facilitador que acredita que o aluno possa aprender por si só e o professor construtivista. Na linha do professor construtivista, penso que a interdisciplina de Filosofia da Educação A – colaborou para que me desse conta do quanto é importante não apresentarmos respostas prontas para nossos alunos, mas instigá-los e desafiá-los a formular suas próprias respostas às questões que lhes interessam. Observar o processo pelo qual meu aluno formula suas hipóteses sobre o que está estudando e as conclusões a que chega sobre o objeto estudado mostrou-me caminhos que não havia percorrido anteriormente. Nesse sentido meu modo de avaliar meu aluno também se modificou, pois entendo sua lógica posso afirmar com mais propriedade se ele construiu ou não conhecimento sobre o objeto de estudo.


 

Fonte: http://www.pucminas.br/imagedb/documento/DOC_DSC_NOME_ARQUI20041202141358.pdf

Acesso em: 15/12/2010.

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