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domingo, dezembro 13, 2009

Surdos em busca de direitos

Desde tempos remotos os surdos vêm travando uma luta para poder ter seus direitos reconhecidos e, mais do que isto, o reconhecimento às capacidades intelectuais dos sujeitos surdos. Cabe ainda ressaltar a importância dos educadores da época que se preocuparam e defenderam o direito de os surdos poderem aprender, mesmo que não fosse do modo mais adequado, mas significava o reconhecimento de que os surdos tinham capacidade para aprender. Destaco Abade Charles-Michel de L’Epée (1712-1789) foi o mais importante educador de surdos.

Quanto à mudança nas propostas de ensino nas escolas de surdos mudos penso que o ponto fundamental abordado nos textos lidos seria a estruturação do ensino para surdos mudos construídas pelos próprios surdos mudos. A valorização da cultura surda, o reconhecimento de uma identidade surda a formação de professores para trabalhar com alunos surdos como fez Abade Charles-Michel de L’Epée são pontos importantes para que possa haver de fato uma proposta educacional para surdos feitas por surdos.

Outra questão que se discute nos textos: o preconceito por parte das pessoas ouvintes. Ainda hoje eles existem e não de forma muito velada. Acabar com o preconceito poderia qualificar ainda mais a relação dos alunos surdos com os alunos ouvintes. Isso não se faz através de decretos, mas de informação, então temos aqui um ponto importante que precisa ser bem trabalhado para que a população de modo geral possa compreender que pessoas surdas não são incapazes e que por isso mesmo tem condições de dirigir suas próprias instituições. Talvez assim, a discussão sobre o melhor método para se educar surdos seja proposto por eles mesmos, já que há uma discussão sobre o método da Oralidade e o método da Linguagem de Sinais.

Não conheço nenhuma instituição de surdos e, portanto, nem um surdo que seja dirigente de alguma instituição. Mas depois das leituras fiquei conhecendo um pouco mais das lutas empreendidas ao longo da história por pessoas que defendem os direitos dos surdos de serem reconhecidos como uma comunidade com linguagem, cultura e identidades próprias, ou seja, a Cultura Surda. Passei a entender a importância do protagonismo reivindicado pelos surdos em relação à educação, pois ninguém melhor do que eles para saber seus anseios e de qual a melhor forma de conquistá-los.

Referências Bibliográficas

ERIKSSON, Per. The History of Deaf People. Sweden: Daufr, 1998.

LANE, Harlan. A Máscara da Benevolência: a comunidade surda amordaçada. Lisboa: Instituto Piaget, 1992.

MOURA, Maria Cecília de. O surdo, Caminhos para uma nova Identidade. Rio de Janeiro: Ed. Revinter, 2000.

PERLIN, Gládis; STROBEL, Karin. Fundamentos da Educação de Surdos. 2008. (Desenvolvimento de material didático ou instrucional - Curso de Letras - LIBRAS à distância).

SILVEIRA, Carolina Hessel. LIBRAS 1. Santa Maria - RS: Gráfica e Editora Pallotti, 2005.

SILVEIRA, Carolina Hessel. O currículo de Língua de Sinais na Educação de Surdos. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Educação UFSC. Florianópolis, 2006.

http://www.faders.rs.gov.br/portal/uploads/Dicionario_Libras_Atualizado_CAS_FADERS.pdf

quarta-feira, maio 06, 2009

Preconceito Velado

A partir das leituras realizadas na interdisciplina Questões Étnico Raciais na Educação: Filosofia e História - A, passei a realizar atividades diferenciadas sobre este tema com o objetivo de ver a quantas anda a questão do preconceito na minha sala de aula. Já havia notado que alguns alunos têm mais preconceito do que outros em relação a uma aluna negra que tenho na turma. Além de ser negra ela é gordinha. A principal chacota que fazem com ela é chamá-la de bola oito. Referência a bola de sinuca que é preta e como é uma bola, obviamente é redonda, alusão ao fato da menina ser gordinha. Por ocasião do dia dezenove de abril, naquela semana, assistimos a dois documentários que tratavam da questão indígena e de uma tradição mantida por uma comunidade quilombola da Cidade de Osório.
Sobre os índios é um pequeno documentário sobre os Xerem da Amazônia, que fala um pouco da sua forma de vida, suas tradições e influências deixadas pelo homem branco.
E o documentário referente aos negros trata da tradição do Maçambique. Que é uma festa herdada dos antepassados escravos e até hoje é preservada por algumas famílias.
Nas aulas de história do Rio Grande do Sul, estamos analisando a formação do povo gaúcho a partir da miscigenação. De que foram essas relações foram se estabelecendo. Como uma cultura interferiu na outra de tal forma que se misturaram em muitos casos.
A partir daí já começo a ver uma mudança no comportamento dos alunos com relação as piadinhas preconceituosas. Fato interessante é que a mudança nas meninas acontece mais rápido, já os meninos ainda apresentam algumas recaídas, mas sempre estamos retomando e discutindo a questão cada vez que o preconceito aparece de forma velada.
O preconceito, sabemos, parte da construção de padrões do que é certo ou errado, feio ou belo, mais capaz ou menos capaz para realizar determinadas atividades. Esta é uma herança que hoje aparece velada, pois a sociedade branca diz que não é preconceituosa, mas as piadinhas estão aí para afirmar o preconceito velado. Infelizmente passado de pai para filho.

quinta-feira, abril 09, 2009

Inclusão

Falar da inclusão de alunos com necessidades especiais na escola ainda é muito difícil, principalmente por parte dos professores. A resistência é muito grande. Entre outras justificativas temos a falta de formação adequada dos professores e, no caso das escolas estaduais, o embate entre professores e a secretaria estadual de educação. Muitos dos direitos conquistados com muito suor, estão sob ameaça com algumas modificações no plano de carreira dos professores que logo entrará em pauta na Assembléia Legislativa do estado. Os professores acham que estão fazendo demais em função do salário que ganham.
Os textos da interdisciplina Educação de Pessoas com Necessidades Educacionais Especiais - A, tem nos dados um panorama geral da evolução desta questão ao longo da história da humanidade. O preconceito e a consequente exclusão ainda estão ligados a este tema. Na escola estadual na qual trabalho temos dois alunos especiais. Um aluno é Down e outro é cadeirante. O primeiro está sofrendo preconceito das mães de seus colegas, segundo o relato que a mãe do menino me fez esta semana. Já a menina, que é cadeirante, as pessoas a olham com sentimento de pena. Ano passado esta menina estudava em uma sala cujo o pavilhão tem acesso com uma rampa, este ano ela esta em uma sala onde não há acesso por meio de uma rampa. Não há um espaço da escola adaptado para que esta aluna tenha acesso facilitado. A sala de vídeo por exemplo, fica no segundo piso do prédio. Quando a professora da menina vai ao vídeo pede minha ajuda para levar a menina escada a cima. Eu a pego no colo e praticamente todos os alunos que não são da sua turma ficam olhando daquele jeito constrangedor. Hoje ela tem apenas nove anos, mas quando ela entrar na adolescência como ela se sentirá? Para o menino Down a escola não oferece nenhum recurso diferenciado. A professora não dispõe de um monitor para auxiliá-la. Como dar conta deste aluno, pois ele exige uma atenção especial, sendo que tem mais uns vinte alunos na turma?
As leis são muito perfeitas no papel, mas nossos governantes deveriam ter vergonha na cara e botar seu discurso em prática. O que nos resta é a troca de experiências com outros colegas que já tem uma caminhada neste campo e a pressão constante nas direções das escolas para que elas as encaminhem às mantenedoras e desta forma quem sabe poderemos ter algum retorno positivo e daí qualificar o trabalho com estes alunos.