quarta-feira, maio 06, 2009

Preconceito Velado

A partir das leituras realizadas na interdisciplina Questões Étnico Raciais na Educação: Filosofia e História - A, passei a realizar atividades diferenciadas sobre este tema com o objetivo de ver a quantas anda a questão do preconceito na minha sala de aula. Já havia notado que alguns alunos têm mais preconceito do que outros em relação a uma aluna negra que tenho na turma. Além de ser negra ela é gordinha. A principal chacota que fazem com ela é chamá-la de bola oito. Referência a bola de sinuca que é preta e como é uma bola, obviamente é redonda, alusão ao fato da menina ser gordinha. Por ocasião do dia dezenove de abril, naquela semana, assistimos a dois documentários que tratavam da questão indígena e de uma tradição mantida por uma comunidade quilombola da Cidade de Osório.
Sobre os índios é um pequeno documentário sobre os Xerem da Amazônia, que fala um pouco da sua forma de vida, suas tradições e influências deixadas pelo homem branco.
E o documentário referente aos negros trata da tradição do Maçambique. Que é uma festa herdada dos antepassados escravos e até hoje é preservada por algumas famílias.
Nas aulas de história do Rio Grande do Sul, estamos analisando a formação do povo gaúcho a partir da miscigenação. De que foram essas relações foram se estabelecendo. Como uma cultura interferiu na outra de tal forma que se misturaram em muitos casos.
A partir daí já começo a ver uma mudança no comportamento dos alunos com relação as piadinhas preconceituosas. Fato interessante é que a mudança nas meninas acontece mais rápido, já os meninos ainda apresentam algumas recaídas, mas sempre estamos retomando e discutindo a questão cada vez que o preconceito aparece de forma velada.
O preconceito, sabemos, parte da construção de padrões do que é certo ou errado, feio ou belo, mais capaz ou menos capaz para realizar determinadas atividades. Esta é uma herança que hoje aparece velada, pois a sociedade branca diz que não é preconceituosa, mas as piadinhas estão aí para afirmar o preconceito velado. Infelizmente passado de pai para filho.

2 comentários:

Beatriz disse...

Se todos entendermos que há preconceito generalizado e que todos nós, fizemos esse pecado em alguma oportunidade me parece que fica mais fácil trabalhar contra ele. Temos que cuidar para não gerarmos um movimento preconceituoso em relação aos preconceituosos. Aproveito para te lembrar que não te encontro em nenhum grupos de PA. Por que não te colocastes? Um abração
Bea

Beatriz disse...

Oi Mario, ficastes só com esse post? Estou ficando cada vez mais preocupada.
Um abração
Bea